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Cultura | 07.08.2008

Ringelnatz transformava o banal em prodígio

Cabaretista, escritor e pintor Joachim Ringelnatz, perseguido pelos nazistas, seduzia e continua seduzindo pelo absurdo de suas criações. Neste 7 de agosto, comemoram-se os 125 anos de seu nascimento.

Joachim Ringelnatz – cujo nome verdadeiro era Hans Bötticher – nasceu em 7 de agosto de 1883 em Wurzen, nas imediações de Leipzig. Segundo sua editora, Diogenes, o cabaretista continua sendo lido por um grande público na Alemanha.

 

"Ele transforma as coisas mais banais em prodígio", elogiou-o uma vez o escritor Erich Kästner (1899-1974). Bötticher, mais conhecido como Ringelnatz, já demonstrou desde cedo uma sensibilidade pelo absurdo e pelo insólito, além de uma predileção por aventuras – inclusive em sua vida pessoal.

 

Histórias de marinheiro

 

Imediatamente após ter terminado a escola, ele foi ser marinheiro. De volta à terra, o filho do poeta saxônio Georg Bötticher imergiu na boemia de Munique – lançando-se como cabaretista no ponto de encontro de artistas Simplizissimus, no bairro de Schwabing.

 

Em 1912 foram publicadas suas primeiras antologias de poemas grotesco-cômicos e dramático-humorísticos. Entre 1910 e 1934, o produtivo autor publicou quase 20 livros: diversos volumes de poesia, romances, peças de teatro e contos, bem como fábulas para crianças.

 

Seus maiores sucessos foram Turngedichte (Poemas-Ginástica) e as canções de marinheiro Kuttel Daddeldu. Ao tão amado mar, Ringelnatz também dedicou a antologia Matrosen (Marinheiros) e o livro Als Mariner im Kriege (Como Soldado da Marinha na Guerra), no qual descreve suas vivências durante a Primeira Guerra, da qual participou como comandante de um navio de rastreamento de minas.

 

Segundo a editora Diogenes, a obra poética de Ringelnatz é a que mais atrai o público leitor.

 

Como artista viajante, ele fez recitais durante muitos anos, por toda parte. O papel mais popular do homem baixinho, meio míope, com rosto marcante era o do marinheiro Kuttel Daddeldu. Após seus anos de viajante como marinheiro e ator, Ringelnatz mudou-se com sua mulher Leonarda para Berlim.

 

Foi nessa cidade que conquistou renome como pintor e como membro do teatro de variedades Schall und Rauch (Som e Fumaça). Praticamente todas suas aquarelas, pinturas a óleo e desenhos desapareceram durante a Segunda Guerra. Em 1933, o regime nazista proibiu o humorista de se apresentar em público, confiscou seus livros e rotulou suas pinturas de "arte degenerada".

 

Na época, amigos artistas e fãs fizeram uma campanha para conseguir doações para o artista totalmente empobrecido e sua mulher. Ringelnatz morreu de tuberculose aos 51 anos, em 1934, e foi enterrado em Berlim.

 

dpa (sm)

 
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